sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

o sexo dos deuses.

Não sei porque me apaixonar por alguém tão perfeito
se na verdade a paixão só se apega nos defeitos.
Afinidades são
confirmações
do que nós desejaríamos ser.
Elas se encontram e se atraem
e modificam nosso modo de ser.
Nos transformamos,
nos possuímos,
os nossos deuses se encontram
o tempo todo,
e nesse lodo de de gente que fica
a gente assume o que nos der na telha.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Do pavio que chegou no fim deu xabu na pólvora.

Tenho andado muito intenso
Sempre em busca de atenção
espalhafatoso, tímido, vírgulas.
Aos olhos da multidão despercebido.
Minha irmã vai ter um filho na quarta-feira.
O cachorro quer um quarto, pede um berço.
Meus amigos vão sumindo,
Dizem que sou mesmo um chato.
Se a casa é o paraíso
a minha morada é a pele do saco.
Eu não estou insatisfeito,
não tô mal agradecido,
é que quando tem dinheiro,
você desfavorecido,
parceiro pobre vira rico.

Eu não entendo o significado de
humanidade.
Eu não entendo o significado de
honestidade.
Eu não entendo o significado de
humildade.
Eu não entendo o significado de
saudade, de verdade.
Eu não entendo o significado de
fraternidade, igualdade
e liberdade ninguém vai me dizer.

Assossego

Foi simples e frio, tremi

olhei depois do horizonte
os dois velinhos

corri.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Eu não conto com você.

Não sei se tenho a sua resistência, você já viu e eu não conto.
Me acho impertinente e acho todo o meu amor melhor ausente.

Meu cuidado é brabo. Brado forte que amarga quando dói.

Eu tenho medo sim. Minha insegurança às vezes volta.

E rói como o rato à roupa do rei.
Eu sei,
que tem horas que atrapalho tudo
e não dou certo desnudo.

Mil vezes minhas máscaras que prefiro guardar,
já percebi das pessoas as quais se fazem me gostar.

Eu preciso resolver algo que eu não vou.
Eu prefiro responder calado do escuro onde estagnei.
Me refiro
a você e eu.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

contos de réis.

Meu orgão não é maior que o seu,
seu dinheiro não vale mais que o meu.
E eu conto, você conta os contos de réis.
E eu canto:
Pobres miseráveis.
Anéis em nossos dedos
conotam o peso da vida.
E os ternos, as pastas, papéis
servindo apenas pra esconder a feridas.

Meu orgulho não é de ser isso ou aquilo do meu.
O prazer deste mundo sou eu.
Não acredito no pastor que me prometeu
A chave já veio comigo.
Eu já estou no céu.

Deus não pediu interlocução.
Deus não pediu interpretação.
Nem mesmo Deus aprecia a aprovação
que você e eu participamos neste mundo então...

Vá, procure sua chave no bolso ou até na barriga.
Destranque essas portas e escolha o sentido da vida.
Engula apenas o que ninguém mais escolheu por você,

cresça e apareça pra valer.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Um conto de barman.

Acabei de chegar de um evento de Testemunhas de Jeová no estádio de Pituaçu.
Um sião gringo americano palestrando pra muita gente. Gente que não sabia o que o inglês dele dizia e gente que nao sabia o que o tradutor estava dizendo. Mas repetiam silenciosamente, "é a palavra." Foram casquinhas o tempo todo apesar do preço da água mineral ser exploração mesmo. 300 ml por 2 reais. Num sol de 30 graus. Gente de todas as idades e com todo tipo de problema físico, psicológicos, de estima e tudo mais.
Os homens pareciam numcarnaval antigo do Rio. Uns vestidos de mulengos outro vestidos de malandros todos com roupa social. Uns guris de 3 anos, de terno já desfilavam com suas sacolinhas. Uma mulher me veio com 500 reais perguntar se era a fila da caridade e eu disse que era a fila da comida. Que deus era o estômago e perguntei se queria a coxinha que tinha saído agora e só custava 3 reais.
Era uma loucura absurda e silenciosa. Mas as mulheres eram muito gostosas. Lembrei do Harisson Ford em "A Testemunha". As roupas eram idênticas, e algumas mais modernas. Lindos saltos revelando as batatas mais gostosas da Bahia. Quiçá do mundo.
As batatas das testemunhas de Jeová. Muitas grávidas. Inúmeras adolescentes grávidas. Umas vinham paquerar no balcão. Eu devia estar ali servindo água e schinka no máximo refrigerante e um garoto de 7 anos me pediu uma cerveja. Tinham mais dois maiorzinhos com ele. Quando ele ouviu-viu a gargalhada minha e de um casal de colegas estrondando a voz do pastor, olhou os companheiros e retiraram-se com o frenético movimento vaivem da pastinha.
Eu entrei no mundo mais engraçado que já havia entrado. Porque é tudo contraditório no esquema deles.
Eles bebem, mas só em casa. Disse que na bíblia tem mostrando o parágrafo exato.
No bar, casa dos bêbados, não.
Não pode gastar na rua com superfluos nem pagar o preço da exploração . Mas vestem terninho e doam o salário para a casa de Jeová.
Não acreditam em transfusão de sangue como fator genuíno para salvar vidas.

Eu, simples e fudido barman, cheguei agora, com $50 reais no bolso. Foi a paga do dia.
E cada dia entro em um mundo doido diferente, por mais $50 reais. Geralmente prestando atenção em tudo.
E tudo isso agora
é pelo Capão.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Dias

É um dia como outro qualquer
É um dia qualquer.
É eu sinto que hoje é pra mim
sai a loteria federal...
au au au au
é um dia como outro qualquer
é um dia qualquer.
E o bar já está fechando
e eu me esqueci de comprar a margarina
para o pão da Magali.
É um dia como outro qualquer
é um dia qualquer.
Hoje eu sinto o dia vem enfim.